DISCUSSÃO
A instabilidade da articulação trapeziometacarpiana é uma patologia rara na criança, que pode ser altamente debilitante na qualidade de vida uma vez que esta articulação é fundamental para muitas das ações da mão no dia-a-dia1. Por outro lado, a instabilidade da articulação em questão pode ser um percursor de alterações degenerativas, pelo que o seu tratamento, sobretudo em idades mais precoces, pode prevenir ou atrasar o aparecimento de Rizartrose4. Existem várias opções de tratamento que passam pela realização de fisioterapia, redução articular fechada e fixação com aparelho gessado ou fios de Kirschner percutâneos, e nos casos mais resistentes, redução aberta associada a reparação ligamentar ou ligamentoplastia5.
O diagnóstico desta patologia é feito pela associação das queixas do doente, um exame físisco detalhado, incluindo a realização do teste de torque, que embora não seja altamente específico apresenta sensibilidade aceitável5. A radiografia em dois planos e as radiografias em stress confirmam o diagnóstico3, sendo importante excluir hipermobilidade articular sistémica.
A ligamentoplastia de Eaton-Littler é uma técnica descrita em 1973, com resultados positivos comprovados em vários estudos, sendo a técnica cirúrgica com séries mais numerosas e maior tempo de seguimento de doentes operados devido a esta patologia. Através desta cirurgia, a articulação é estabilizada em dois planos, sendo criado um neo-ligamento, designado por Ligamento Colateral Radial. A sua principal complicação é a lesão dos ramos sensitivos do Nervo Radial6. Existem, contudo, outros procedimentos, que vão desde a reparação ligamentar direta até diferentes técnicas de ligamentoplastia7.
Na criança, a subluxação e hipermobilidade surgem no contexto de doenças de hiperlaxidez, que é definida pelos critérios de Beighton8, ou mais raramente após traumatismos agudos com luxação articular completa, sendo que a literatura existente para este grupo etário é escassa e baseada em relatos de caso9.
Segundo o conhecimento dos autores, este é o primeiro caso documentado na literatura de tratamento cirúrgico de instabilidade trapeziometacarpiana isolada não traumática na criança. A técnica de Eaton-Littler mostrou ser uma opção segura e eficaz, com bons resultados funcionais aos 3 anos de seguimento.